quarta-feira, setembro 30, 2026

Arena dos Amigos celebra o ídolo Bosquinho e seu legado no futsal de Araxá

Fernando Dom Bosco, o eterno Bosquinho, recebe homenagem histórica na Arena dos Amigos e tem legado eternizado no futebol araxaense

Araxá (MG) — No dia 6 de setembro, a chácara Arena dos Amigos se transformou em palco de emoção, memória e reconhecimento. Jogadores, familiares, amigos e admiradores do esporte se reuniram para homenagear um dos maiores nomes do futebol de salão da história de Araxá: Fernando Dom Bosco, o eterno Bosquinho.

Em meio a aplausos e lembranças, Bosquinho recebeu um troféu especial, símbolo de tudo o que construiu ao longo de décadas dedicadas ao esporte araxaense. Um gesto simples, mas carregado de significado para quem acompanhou sua trajetória dentro e fora das quadras.

Um legado que não se apaga

Bosquinho nasceu em Araxá (MG), em uma família de seis filhos — dois irmãos e três irmãs. O esporte sempre fez parte do ambiente doméstico: seus irmãos mais velhos se destacaram no cenário local, e um deles chegou ao futebol profissional, defendendo as cores do Araxá Esporte Clube no Campeonato Mineiro.

Desde cedo, Bosquinho demonstrou uma relação natural com a bola. Na Escola Municipal Lia Salgado, onde cursou o primário, rapidamente se destacou nas aulas de educação física e nos jogos interescolares, chamando atenção pela habilidade e pela competitividade que marcariam sua trajetória esportiva.

O mesmo desempenho se repetiu na Escola Municipal Vasco Santos, onde cursou o primeiro grau, consolidando sua reputação entre professores e colegas. Mais tarde, na Escola Estadual Dom José Gaspar, onde concluiu o ensino médio, manteve o protagonismo nas atividades esportivas, reforçando o caminho que já se desenhava no futsal araxaense.

A projeção veio na adolescência, quando passou a atuar no futebol de salão entre adultos — um avanço precoce que evidenciou seu talento e o colocou no radar das principais equipes da cidade. Aos dezoito anos, sustentando atuações de alto nível nos campeonatos que disputava, abriu caminho para oportunidades dentro e fora das quadras. Uma delas foi sua contratação pela Arafertil (atual Mosaic), uma das maiores empresas do setor de mineração e fertilizantes do Alto Paranaíba, onde também passou a defender a equipe esportiva da empresa nos campeonatos de futsal e no futebol amador.

A história de Bosquinho e o futsal de Araxá caminham juntos

Ao longo de sua trajetória, Bosquinho vestiu as camisas da Arafertil, do ATC, do Juventude e das seleções de Araxá e Ibiá, participando de diversos campeonatos da região e deixando sua marca em cada um deles.

Com títulos acumulados e atuações decisivas, consolidou uma reputação de liderança e protagonismo nas competições locais. Sua presença em quadra era sinônimo de intensidade, técnica e espírito competitivo — elementos que ajudaram a elevar o nível do futsal regional e fortalecer a identidade esportiva das equipes que representou.

Foi presença constante em diversas edições do JIMIS — Jogos do Interior de Minas Gerais, levando o nome de Araxá a diferentes regiões do estado e contribuindo para firmar o futsal da cidade como referência esportiva.

O dia em que Araxá ganhou duas ambulâncias

Entre os episódios mais curiosos e inesquecíveis da carreira de Bosquinho está sua participação, ao lado do goleiro Romero, no famoso programa de televisão Silvio Santos, no quadro Cidade contra Cidade.

Em uma disputa de cobranças de pênaltis, a dupla representou Araxá e conquistou duas ambulâncias para o município — um feito lembrado com orgulho pelos moradores e que reforça o impacto do esporte além das quadras.

Craque dentro e fora das quadras

No final da década de 1970, o futebol de salão araxaense vivia sua era de ouro: ginásios lotados, rivalidades acirradas e equipes fortes. Bosquinho era protagonista dessa fase, atuando como beque (pião) na poderosa equipe da Arafertil.

Seus adversários eram times tradicionais como CBMM, Fosfertil, São Paulo, Clube União, Cascavel, Melos, entre outros. Dentro de quadra, Bosquinho era mais que jogador: era líder, estrategista, referência técnica. Muitos o consideravam o “segundo técnico” da equipe, pela leitura de jogo e pela capacidade de orientar o time.

Além do futsal, destacou‑se também no campeonato amador, onde defendeu o GREI – Grupo Recreativo Esportivo da Arafertil, o Guarani Esporte Clube e o Santa Terezinha Esporte Clube. Foi pelo Santa Terezinha, time do bairro onde morava, que conquistou o título de campeão amador da cidade.

O nascimento do Sport Clube Juventude: um sonho realizado

Mesmo atuando em alto nível, Bosquinho decidiu tirar do papel um antigo sonho: formar um time composto por jovens revelados na própria comunidade, treinados sob sua orientação e moldados pelos valores que sempre defendeu dentro do esporte. Assim surgiu o Sport Clube Juventude, projeto que começou pequeno, ganhou corpo e rapidamente se transformou em referência na formação de atletas em Araxá.

Com o crescimento da equipe, veio também um momento simbólico: Bosquinho passou a integrar o elenco como jogador. Dividir a quadra com aqueles que havia ajudado a formar — agora já adultos — tornou‑se uma das maiores alegrias de sua carreira.

O espírito que guiou o Juventude desde o início permaneceu intacto: união, disciplina e amor pelo esporte. O Juventude tornou‑se mais que um time — tornou‑se a materialização de um ideal e um dos capítulos mais marcantes da trajetória de Bosquinho.

Uma vida dedicada ao esporte

Ainda no auge de sua trajetória esportiva em Araxá, surgiu para Bosquinho uma oportunidade que mudaria o rumo de sua vida: iniciar um novo negócio em Patrocínio (MG). A mudança não o afastou do esporte — pelo contrário, o futebol continuou abrindo portas. Em pouco tempo, já estava integrado a uma equipe do futebol amador local, time pelo qual conquistou o feito de se tornar penta campeão amador da cidade.

Com o passar dos anos, as disputas intensas deram lugar às peladas de fim de semana nos gramados de society. A essência, porém, permaneceu: prazer em jogar, espírito competitivo e alegria ao lado dos amigos.

Hoje, após mais de três décadas vivendo em Patrocínio, Bosquinho construiu uma trajetória sólida fora do esporte. Tornou‑se um empresário reconhecido no ramo de locação de sistemas de alarmes, consolidando uma carreira respeitada na cidade.

Mesmo longe das competições oficiais, o vínculo com o futsal permanece vivo. Ele segue reunindo antigos companheiros e preservando histórias. É o grande articulador dos encontros anuais dos ex‑integrantes do Juventude — momentos de celebração, memórias e amizade que atravessam gerações.

Mais do que um ex‑jogador, Bosquinho se tornou guardião de uma memória esportiva que continua pulsando.

Reconhecimento merecido

A homenagem na Arena dos Amigos reforça aquilo que Araxá sempre soube: a história de Bosquinho não se apaga. Seu talento, sua liderança e sua contribuição para o esporte local permanecem vivos na memória de quem o viu jogar e de quem cresceu ouvindo suas histórias.

O troféu entregue no evento simboliza não apenas suas conquistas, mas também o respeito e a gratidão de toda a comunidade esportiva de Araxá.

Uma foto é mais do que uma imagem congelada no tempo; é um portal para o passado, onde cada detalhe guarda uma lembrança e revela uma história única. A seguir, você confere uma pequena amostra da galeria de fotos que preservam esses momentos e eternizam as memórias da temporada esportiva de Fernando Dom Bosco, ou simplesmente Bosquinho — um nome que marcou gerações e deixou sua assinatura nas quadras de Araxá.

Para quem deseja reviver ainda mais desse período, há relatos, registros e lembranças compartilhadas por apaixonados pelo futsal araxaense. Muitos desses tesouros estão reunidos no Blog do Aurélio Ribeiro, um espaço dedicado a manter viva a história, a paixão e os personagens que moldaram o futsal da cidade ao longo das décadas.

SELEÇÃO DE FUTSAL DE  - ARAXÁ-MG

Represente de Araxá nos jogos do interior mineiro

 Em pé: Urbano, Júnior Boso, Realino, Amarildo, Marcão e Toninho - Agachados: Newtinho, Juninho David, Euler e Cesinha

ATC - Araxá Tênis Clube

Em pé: Aurelio, Gastão, Badete e Café - Agachados: Pururuca, Merrinho, Vilson Florentino e Bosquinho

SELEÇÃO DE FUTSAL - IBIA-MG

JITAP jogos integrados do triangulo mineiro e Auto Paranaiba

Em pé: ??, Eudes Jatobá, Realino, Armindo, ??, ?? – Agachados: Márcio, ??, ??. Bosquinho e Dimas Duarte

Em pé: Amarildo, Grillo, Jânio, Vaguinho, Júnior Boso, Bosquinho, Marcão, treinador Aurelio e Realino - Agachados: Toninho, Alexandre Maquininha, Cláudio e José Reinaldo (Naldinho)

ARAFERTIL FUTSAL - ARAXÁ-MG



Em pé: José Reinaldo, Nivaldo Batista, Silvio e Alemão - Agachados: Tenente, Bosquinho, Betinho e José Carlos

GUARANI ESPORTE CLUBE (Araxá)
                   JUVENTUDE - SUB 14
               
JUVENTUDE (Inclusão junto ao time de base)
Em pé: Toninho, Marcão, Juninho David, Vaguinho, Washington e Alexandre Maquininha - Agachados: Realino, Júnior Boso, Lelei, Bosquinho, Janinho e Grillo

 
ENTREVISTA RÁDIO PATROCINIO






terça-feira, setembro 29, 2026

Magno Haroldo Castanheira – Goiano: Uma Trajetória de Garra, Técnica e História

De Uruaçu ao posto de ídolo: a trajetória de Magno Haroldo Castanheira, o “Goiano” que marcou época no Araxá Esporte Clube

Araxá (MG) — A história de Magno Haroldo Castanheira, conhecido no futebol mineiro simplesmente como Goiano, é daquelas que atravessam décadas e permanecem vivas na memória de torcedores, ex-companheiros e apaixonados pelo esporte. Nascido em Uruaçu (GO) e criado em Porangatu, Magno transformou a paixão pelos campos de terra da infância em uma carreira sólida, marcada por dedicação, técnica apurada e uma relação especial com o Araxá Esporte Clube.

Infância no norte goiano e o início da paixão pelo futebol

Ainda menino, Magno já demonstrava talento e disciplina. Em Porangatu, onde viveu a infância e juventude, o futebol era mais que lazer: era vocação. Entre peladas de rua e campeonatos locais, desenvolveu o estilo rápido e preciso que mais tarde o destacaria no cenário profissional.

Mudança para Goiânia e o primeiro passo no futebol profissional

Em 1973, ao se mudar para Goiânia para concluir os estudos, Magno viu sua vida mudar de rumo. Convidado para testes no Goiânia Esporte Clube, foi aprovado e iniciou sua trajetória como atleta profissional. Começava ali a jornada de um jogador que, mesmo longe dos holofotes nacionais, conquistaria respeito e admiração por onde passou.

Destaque no futebol goiano e mineiro

Em 1976, Magno foi emprestado à Associação Esportiva Jataiense, onde disputou a 1ª Divisão do Campeonato Goiano. A campanha segura chamou atenção de clubes de outros estados.

No ano seguinte, já em Minas Gerais, defendeu o Guarani de Divinópolis no Campeonato Mineiro da elite. O desempenho consistente abriu portas para o clube que marcaria sua história: o Araxá Esporte Clube.

Araxá: o clube onde Magno virou símbolo

Contratado para disputar o Campeonato Mineiro da 1ª Divisão, Magno rapidamente se tornou peça-chave no Araxá. Inicialmente lateral-direito, foi deslocado para a posição de volante, onde se destacou pela técnica, velocidade e precisão nos passes.

Seu futebol chamou atenção de equipes como América Mineiro, Mogi Mirim e São Caetano, mas questões contratuais impediram a transferência. Mesmo assim, o reconhecimento veio de outra forma: Magno se tornou o jogador que mais vezes vestiu a camisa do Araxá, com 176 partidas oficiais.

Passagem pelo Flamengo de Varginha e retorno vitorioso

Com a pausa das atividades do Araxá em 1980, Magno seguiu para o Sul de Minas, onde defendeu o Flamengo de Varginha. O retorno ao Araxá, porém, seria marcante: ajudou o clube a conquistar o título da 2ª Divisão Mineira, reforçando seu status de ídolo.

Homenagem e legado

Em 2024, Magno recebeu uma homenagem especial da Câmara Municipal de Araxá, por iniciativa do vereador João Veras. O reconhecimento celebrou não apenas sua trajetória no clube, mas sua contribuição ao esporte mineiro.

Entre o futebol e a vida profissional

Conciliando estudos e esporte, Magno formou-se técnico químico e exerceu a profissão paralelamente ao futebol. Aprovado em concurso público, construiu carreira no laboratório de análises da Prefeitura, onde trabalhou até se aposentar, há três anos.

Mesmo longe dos gramados profissionais, o futebol nunca deixou sua rotina. Por anos, participou das tradicionais partidas da Andratur e, atualmente, segue jogando às quartas-feiras na AEF, mantendo viva a paixão que o acompanha desde a infância.

Um nome que permanece

A trajetória de Magno Haroldo Castanheira é exemplo de dedicação, humildade e amor ao esporte. Um goiano que se tornou mineiro de coração e que, com 176 jogos, entrou para a história do Araxá Esporte Clube como um dos maiores símbolos de fidelidade e entrega dentro de campo.

Se quiser reviver mais detalhes dessa época, há registros e memórias compartilhadas por apaixonados pelo futsal de Araxá, como no Blog do Aurelio Ribeiro

Araxá Esporte Clube

Flamengo de Varginha





ARAXÁ ESPORTE CLUBE








sábado, agosto 29, 2026

ANO 1976 - Escola Delfim Moreira

Araxá, 1976: O Futebol como Poesia

Em 1976, a Escola Delfim Moreira já era um pilar da educação em Araxá. Instalado desde 1931 no prédio da Avenida Getúlio Vargas, o colégio consolidara sua reputação como referência no ensino fundamental da cidade. Com disciplina rígida, turmas numerosas e forte vínculo comunitário, era mais que uma escola: era um espaço de formação de caráter e de sonhos.

Naquele tempo, o futebol escolar não se limitava ao esporte. Era celebração, rito de passagem, espetáculo que reunia famílias inteiras nas arquibancadas. Cada torneio transformava meninos em protagonistas por um dia, carregando nos pés a esperança de se tornarem heróis diante da comunidade.

Em pé, da esquerda pra direita: Marco Túlio Porfírio, Waldir Marques (Capadão), Jacinto, Eduardo Maneira, Zequinha, Ulisses Barros e Klênio (Pururuca). Agachados, da esquerda pra direita: Sérgio Barros, Waterson (Ipanema), André do Chiquito, Gino Carneiro, Rodrigo Carneiro (Picó) e Almir Guimarães." Técnico: Toninho Café

O Estádio Municipal Fausto Alvim era o templo sagrado. Para os jovens, pisar naquele gramado significava tocar o impossível. Ali, o Araxá Esporte Clube — o “Ganso” — desfilava suas cores preto e branco, arrancando aplausos e corações. Pais e filhos se misturavam em gritos e esperanças, reverenciando o time mais querido do interior mineiro.

Representar a escola era mais do que vestir uma camisa: era ensaiar o futuro. Cada chute, cada corrida, cada gol trazia consigo a fantasia de um dia defender o Araxá diante da multidão.

Naquele ano, o clube vivia uma fase de transição. Longe da elite mineira, mantinha firme sua presença nas divisões de acesso. Era um período de reconstrução, de paciência e de fé. Dois anos depois, em 1978, essa perseverança seria recompensada com o título do Módulo II, reafirmando a força do Ganso e a paixão de sua torcida.

Assim, 1976 ficou marcado não apenas pelos campeonatos escolares, mas pela atmosfera de sonho e pertencimento que o futebol espalhava pela cidade. Araxá respirava bola, e cada criança que corria no Fausto Alvim carregava consigo a certeza de que o futebol era, acima de tudo, poesia vivida no gramado.



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