O ano era 1976. Em Araxá, o futebol de campo entre as
escolas não era apenas esporte: era celebração, era rito de passagem. Cada
torneio reunia famílias inteiras, e cada criança carregava nos pés o sonho de
se tornar herói por um dia.
O Estádio Municipal Fausto Alvim era o templo. Para
os meninos, pisar naquele gramado significava tocar o impossível. Ali, o Araxá
Esporte Clube, o “Ganso”, desfilava suas cores preto e branco, arrancando
aplausos e corações. Nas arquibancadas, pais e filhos se misturavam em gritos e
esperanças, e o time da cidade era reverenciado como o mais querido do interior
de Minas.
Em pé, da esquerda pra direita: Marco Túlio Porfírio, Waldir Marques (Capadão), Jacinto, Eduardo Maneira, Zequinha, Ulisses Barros e Klênio (Pururuca).
Agachados, da esquerda pra direita: Sérgio Barros, Waterson (Ipanema), André do Chiquito, Gino Carneiro, Rodrigo Carneiro (Picó) e Almir Guimarães." Técnico: Toninho Café
Representar a escola era mais do que vestir uma camisa: era
ensaiar o futuro. Cada chute, cada corrida, cada gol trazia consigo a fantasia
de um dia defender o Araxá diante da multidão.
Naquele ano, o clube vivia uma fase de transição. Não estava
entre os grandes da elite mineira, mas mantinha firme sua presença nas divisões
de acesso. Era um período de reconstrução, de paciência e de fé. Dois anos
depois, em 1978, essa perseverança seria recompensada com o título do Módulo
II, reafirmando a força do Ganso e a paixão de sua torcida.
Assim, 1976 ficou marcado não apenas pelos campeonatos
escolares, mas pela atmosfera de sonho e pertencimento que o futebol espalhava
pela cidade. Araxá respirava bola, e cada criança que corria no Fausto Alvim
carregava consigo a certeza de que o futebol era, acima de tudo, poesia vivida
no gramado



















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