Araxá, 1976: O Futebol como Poesia
Em 1976, a Escola Delfim Moreira já era um pilar da educação em Araxá. Instalado desde 1931 no prédio da Avenida Getúlio Vargas, o colégio consolidara sua reputação como referência no ensino fundamental da cidade. Com disciplina rígida, turmas numerosas e forte vínculo comunitário, era mais que uma escola: era um espaço de formação de caráter e de sonhos.
Naquele tempo, o futebol escolar não se limitava ao esporte. Era celebração, rito de passagem, espetáculo que reunia famílias inteiras nas arquibancadas. Cada torneio transformava meninos em protagonistas por um dia, carregando nos pés a esperança de se tornarem heróis diante da comunidade.
Em pé, da esquerda pra direita: Marco Túlio Porfírio, Waldir Marques (Capadão), Jacinto, Eduardo Maneira, Zequinha, Ulisses Barros e Klênio (Pururuca). Agachados, da esquerda pra direita: Sérgio Barros, Waterson (Ipanema), André do Chiquito, Gino Carneiro, Rodrigo Carneiro (Picó) e Almir Guimarães." Técnico: Toninho Café
O Estádio Municipal Fausto Alvim era o templo sagrado. Para os jovens, pisar naquele gramado significava tocar o impossível. Ali, o Araxá Esporte Clube — o “Ganso” — desfilava suas cores preto e branco, arrancando aplausos e corações. Pais e filhos se misturavam em gritos e esperanças, reverenciando o time mais querido do interior mineiro.
Representar a escola era mais do que vestir uma camisa: era ensaiar o futuro. Cada chute, cada corrida, cada gol trazia consigo a fantasia de um dia defender o Araxá diante da multidão.
Naquele ano, o clube vivia uma fase de transição. Longe da elite mineira, mantinha firme sua presença nas divisões de acesso. Era um período de reconstrução, de paciência e de fé. Dois anos depois, em 1978, essa perseverança seria recompensada com o título do Módulo II, reafirmando a força do Ganso e a paixão de sua torcida.
Assim, 1976 ficou marcado não apenas pelos campeonatos escolares, mas pela atmosfera de sonho e pertencimento que o futebol espalhava pela cidade. Araxá respirava bola, e cada criança que corria no Fausto Alvim carregava consigo a certeza de que o futebol era, acima de tudo, poesia vivida no gramado.



















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