46 anos depois
Antes (1.979), depois (2025) dos meninos sonhadores do time do Estrela Futebol Clube

A fotografia que guarda histórias
Há fotografias que não envelhecem. Mesmo quando o papel amarela e o tempo insiste em correr, elas permanecem vivas, pulsando memórias. Nessa imagem, em pé, estão João Gonçalves Júnior, Waner Andrade, José Orlando Andrade e Dario Afonso Oliveira — o eterno Silkmania. Ao lado, agachados e descontraídos, Rui Barbosa Gonçalves, César Sebastião Andrade, Aires Marcos Andrade, o respeitado Dr. Aires, Marco Antônio Andrade e Fernando Gomes Menezes, o sempre lembrado Lanches Caseiro.
Cada rosto é uma página de um livro não escrito, mas gravado no coração. São capítulos de amizade, de risadas soltas, de tardes que se estendiam em jogos e desafios, quando a vida parecia caber inteira no campo improvisado ou na rua de terra batida.
O olhar de cada um revela mais do que a pose diante da câmera: revela cumplicidade, juventude e a certeza de que, naquele instante, o mundo era simples e pleno. A fotografia, mais do que imagem, é testemunho — um relicário de histórias que continuam a ecoar, mesmo quando o silêncio do tempo tenta apagá-las.
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| Em pé: Juninho Cascata, Waner, Ze Orlando e Dário Agachados: Rui, Cesar, Aires, Marco Antônio e Fernando |
Sob o luar da infância
No final da década de setenta, a vida parecia correr em outro ritmo. A escola era um território de disciplina e descobertas: notas azuis brilhavam como medalhas de honra, enquanto as vermelhas surgiam como pequenos fantasmas a nos lembrar da responsabilidade. O número mágico era o sete — acima dele, a tranquilidade; abaixo, o susto e a promessa de esforço redobrado.
Mas era nas ruas que a infância se revelava em sua plenitude. Ali, o mundo se abria em horizontes de brincadeiras: a bola quicando no asfalto, o elástico esticado entre os pés, o cordão que girava em cadência, o carrinho de rolimã deslizando veloz, as pipas colorindo o céu como bandeiras de liberdade. E quando o sol se escondia, o luar nos convidava a prolongar a festa, como se a noite fosse cúmplice das nossas travessuras.
Naquele tempo, não havia Bolsa Família. O uniforme vinha da escola, mas o material escolar era comprado com o suor dos pais, que transformavam sacrifício em oportunidade. Nos pés, calçados que se tornaram símbolos de uma geração: Vulcabrás, Conga, Ki Chute, Bamba e as inseparáveis alpargatas, que carregavam histórias em cada passo.
Sem celulares, o conhecimento exigia peregrinação: bibliotecas públicas e enciclopédias repousavam como templos de sabedoria, onde cada página folheada era uma viagem, cada consulta um mergulho profundo.
Era uma infância simples, mas intensa. Entre o rigor das avaliações e a liberdade das ruas, entre o esforço dos pais e a curiosidade dos filhos, desenhava-se uma vida que hoje parece distante, mas que permanece viva na memória — como uma fotografia amarelada pelo tempo, ainda capaz de nos fazer sorrir.
Futebol de rua......
Foi nessa mesma época que a família Andrade – liderada pelos irmãos Sebastião, César, Aires Marcos, Waner e os primos Marco Antônio e Orlando – se uniu aos meninos que moravam nas imediações da Rua Doutor Orôncio Dutra, no centro de Araxá, para formar um time de futebol de rua. Os times de futebol de rua eram abundantes na cidade, e o que não faltava eram campos para disputar jogos. Um pequeno detalhe marcante: todos os campinhos eram de terra batida, e a preferência era jogar próximo de casa, com os deslocamentos feitos a pé – cada passo carregava a vibração de uma verdadeira paixão pelo jogo.
Ainda no centro de Araxá, a unidade do Sesc, que funcionava em um antigo espaço, abrigava um campinho muito usado pelos times da região. Próximo dali, outro espaço vibrava com as partidas, e hoje esse local é a praça de esportes do time amador Santa Terezinha. Além desses, outro campinho, localizado no início da Avenida Senador Montandon – onde hoje funciona a Clínica de Tênis da professora Jane Porfirio – também era frequentado pelo garotada. Esses eram os palcos onde o Estrela Futebol Clube, com seus jogos de rua, celebrava a amizade, a disciplina e os valores que hoje parecem tão distantes para as novas gerações.
Quanta saudade e quantos valores! Em meio a lembranças de tempos sem excessos, onde cada conquista e cada desafio eram vividos intensamente, fica a certeza de que os momentos de ontem moldaram a essência de quem somos hoje.
Essa narrativa resgata a atmosfera de uma época em que o esforço, a simplicidade e a verdadeira paixão pelas brincadeiras de rua e pelo esporte eram os verdadeiros tesouros da vida.
Se
quiser reviver mais detalhes dessa época, há registros e memórias
compartilhadas por apaixonados pelo futsal de Araxá, como no Blog
do Aurelio Ribeiro
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| Em pé: Juninho Cascata, Waner, Ze Orlando e Dário Agachados: Rui, Cesar, Aires, Marco Antônio e Fernando |






















